[Diário] Desafio de Leitura – #LeiaRepresentatividade

Olá, olá!~

Hoje vim falar um pouco sobre as minhas expectativas de leitura para esse ano. Podemos dizer que não pretendo tentar me forçar a alcançar nenhuma meta maluca ou coisa do tipo e nem tentar me obrigar a ler algum livro por qualquer que seja o motivo. Vou ler algo porque quero e é isso.

Mas, faz algum tempo, desde que começou a rolar um ‘desafio’ na internet em que as pessoas passavam a tirar uma foto de suas estantes e depois outra foto após retirar dela todos os livros que foram escritos por autores homens, mostrando assim o quão discrepante é a diferente entro o consumo que temos entre autores homens e mulheres, e mais, o quanto o mercado editorial tende a dar preferência aos homens, sendo mais um de muitos mercados em que as mulheres precisam batalhar contra o sistema para conquistar seu espaço.

Nas imagens acima vemos algumas fotos dos nichos das minhas estantes de livros onde tirei e coloquei á frente os livros de autoras mulheres, mostrando o quão discrepante é a proporção que consumimos.

Após esse exercício, passei a refletir sobre o que me levava a comprar um livro. E a resposta foi bem óbvia: o preço! Brincadeiras à parte, percebi que consumia muitos livros que estavam em destaque na mídia, sem me atentar a quem escrevia. Fora claro, os livros de autores que eu já conheço e sou fã, os quais buscava de forma específica. Dessa forma, mesmo que inconscientemente, passava a contribuir para as estatísticas.

Isso me levou a uma reflexão ainda maior sobre: quantos desses autores homens que leio são pretos? Asiáticos? Japoneses até, uma vez que tenho tanto contato com a cultura por ser descendente, mas, lia livros de autores japoneses? Quantos desses livros eram escritos por autores LGBTQIA+? E mais, dentre as poucas autoras mulheres, quantas são pretas? E ainda, quantos autores nacionais estavam na minha estante? E por aí vai …

Lógico que ninguém é obrigado a ficar observando esses detalhes quando compra um livro porque sua sinopse, capa ou qualquer que seja o motivo, te chamou atenção e te deixou com vontade de ler. Mas, se pensarmos a fundo, nós que somos consumidores ao nos tornarmos reféns daquilo apenas que está no “mainstream” acabamos compactuando com uma situação bem injusta. Acabamos não nos atentando à diversidade no mercado editorial. Enfrentamos a realidade de que a literatura em si é branca, homem, hétero.

E depois disso, a reflexão se estende ainda mais! Passei a observar que, muitos dos livros que lia não retratavam muita minha realidade. Quantos livros li em que o personagem era amarelo? Quantos dos livros que tenho na minha estante retratam personagens fora do padrão?

Eu, amarela, pessoa gorda. Quantas vezes me senti representada em um personagem principal de um livro?

Junto a essa reflexão, vim a conhecer através de uma amiga o #LeiaRepresentatividade, um desafio de leitura proposto pelas autoras da página do instagram @afrofuturas.

Nele, elas propõem um tema por mês para leituras que envolvam representatividade. Elas ainda enviam um newsletter todo mês com explicações sobre o tema do mês, dicas de livros para aquelas que não sabem por onde começar a procurar leituras sobre o tema. A newsletter é completa e super informativa.

O tema de janeiro foi ler um livro ou HQ que confronte discursos gordofóbicos, tendo eu selecionado os livros Quinze Dias do Vitor Martis, Um Corpo de Verão (Clichês em rosa, roxo e azul # 2) por Maria Freitas e Gordelícias de Simone Gutierrez, Cacau Protássio, Mariana Xavier e Fabiana Karla.

O tema desse mês de fevereiro é ler um HQ ou livro que possibilite diálogos anticapacitistas. No newsletter desse mês elas explicam o Capacitismo: “Capacitismo é a manifestação de preconceito que supõe que pessoas com d e f i c i ê n c i a sejam incapazes de realizar ocupações ou atividades que querem ou precisam executar. “É o que a sociedade atribui às pessoas com deficiência, reduzindo-as a própria deficiência”.

O que me levou a buscar esse tipo de desafio foi a vontade de elevar meu hobby de leitura para um patamar diferenciado e assim passar a ter leituras com propósitos. A proposta é a de passar a consumir livros de autores representativos, com personagens representativos, saindo um pouco da premissa padrão que o mercado editorial tem de monte.

Eu particularmente estou bem nervosa enquanto escrevo esse post pois sou bem leiga nesse assunto, e apesar de estar tentando ler mais sobre o assunto, estudar e me inteirar, ainda sei pouco e não tenho propriedade, mas espero que aqui no blog possa estar mostrando pra vocês minha evolução, principalmente com esse desafio do #LeiaRepresentatividade com o qual tenho expandido meus horizontes e tenho aprendido bastante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s