[Resenha] Livro 01/2021 – Poesia que Transforma por Bráulio Bessa

Poesia Que Transforma

Autor: Bráulio Bessa

Editora Sextante

Ilustrações por: Eleno Passos

Páginas: 421

Onde comprar: https://amzn.to/3u5gWbI

Apresentação

No final de 2014, a produção do programa Encontro com Fátima Bernardes me procurou pela primeira vez. Desde 2011, eu mantinha uma página no Facebook com mais de um milhão de seguidores, a Nação Nordestina, e naquela época viralizou um vídeo em que eu aparecia declamando o poema “Nordeste independente”, de Bráulio Tavares e Ivanildo Vila Nova, que falava sobre o preconceito contra nordestinos. Como esse assunto estava na pauta do programa, me convidaram para falar. Quando vi o e-mail com o assunto “Encontro com Fátima Bernardes”, pensei logo: é vírus!

Participei, via FaceTime, lá da cozinha da minha casa, em Alto Santo. Quando a apresentadora deu bom-dia, eu já a chamei de “Fatinha”, para trazer para a intimidade (quem é o doido que fala com Fátima Bernardes pela primeira vez e já chega chamando de Fatinha? É muita “prafrenteza”!). Fiz uma participação de dois minutos falando de preconceito contra o povo nordestino. Mesmo a distância, pela internet, o pessoal da produção gostou desse primeiro contato.(…)

Em 2015 passei a ir ao Encontro de forma esporádica, mais ou menos como um especialista em cultura nordestina. Quando tinha como encaixar algum poema, me davam abertura e eu declamava ali mesmo, no sofá. Muitas vezes passava despercebido na conversa, era muito rápido.

Um dia Maurício Arruda, na época o diretor do programa, me disse: “Da próxima vez você vai declamar em pé.” Perguntei se podia ser com pedestal, pois eu gosto de gesticular, e ele topou. Pedi que colocassem umas xilogravuras no telão, para dar essa ligação com o cordel, e ele topou também. Brinquei então que aquele seria o “meu quadro”. Então vamos pôr um nome: “Poesia com rapadura”. Fizemos desse jeito pela primeira vez no dia 8 de outubro de 2015, justamente no Dia do Nordestino, quando declamei o poema “Orgulho de ser nordestino”. A repercussão foi tão boa que passamos a fazer toda semana. (retirado do livro Poesia que Transforma de Bráulio Bessa)

Com essa apresentação do autor, feita pelo próprio, retirada do seu livro, começo essa resenha. Conheci o autor Bráulio Bessa através de vídeos que rolavam nas redes sociais, de suas aparições no programa da Fátima Bernardes. Confesso que não sou muito chegada em poesia, e quase não me empolgo ao ler livros do gênero, sendo um ou outro que me chamam a atenção, mas me fascinei com as poesias declamadas por Bráulio Bessa nesses vídeos.

Foi então que conheci o livro do autor. Mesmo gostando muito, demorei meses para terminar o livro. A leitura foi lenta e arrastada, muito por ser um gênero que é difícil me prender. Ainda assim, isso não tira o fato de que o livro é muito legal.

(…) Um dia eu imaginei

um mundo sem armamentos,

sem brigas religiosas,

sem ataques violentos,

sem bombas, tiros e balas,

sem ninguém fazendo as malas

fugindo dos sofrimentos.

Um dia eu imaginei

um mundo sem terrorismo,

sem preconceito nenhum,

sem vingança, sem racismo,

sem a tal intolerância

munida pela ganância

e tanto individualismo.

Um dia eu imaginei

um mundo que não tem guerra,

que não se derrama sangue

por um pedaço de terra.

Sem grade, muro, barreira.

Às vezes numa poeira

a humanidade se enterra. (…)

Trecho de ‘Imagine e Paz’ do livro Poesia que Transforma.

Composto por poemas e contos, além de ilustrações muito legais, o livro fala  sobre o mundo, cotidiano, sentimentos e claro, sobre o Nordeste, ou melhor, sobre ser nordestino.

Em passagens simples, sem expressões complicadas, o autor coloca em palavras simples os seus pensamentos.

(…) Acredite, nunca é tarde

pra abraçar um amigo,

pra proteger um estranho

que está correndo perigo,

nunca é tarde pro seu peito

se tornar um grande abrigo. (…)

Trecho de ‘Nunca é Tarde’ do livro Poesia que Transforma.

No livro ainda, entre poesias e ilustrações, nos deparamos com contos em que o autor nos leva a conhecer um pouco mais sobre ele, sobre sua vida, e como eram suas atividades nas redes sociais como propagador da cultura nordestina e ainda, de onde alguns de suas poesias foram inspiradas. De forma singela, o autor nos mostra um pouco mais do autor como pessoa, dando ainda mais vida ás suas poesias.

Um dos pontos mais legais do livro é que a leitura é leve e bem tranquila, com palavras e expressões simples que fluem, fora que é bem legal aprender um pouco mais sobre a cultura nordestina.

É o tipo de livro que podemos manter na cabeceira e ir lendo de pouco em pouco, sem pressa.

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