[Resenha] #Livro 21/2018 – O Estranho Caso de Benjamin Button by F. Scott Fitzgerald

Oestranhocasodebenjaminbutton

Título: O Estranho Caso de Benjamin Button

 Autor(a/es): F. Scott Fitzgerald

Editora: Presença

Páginas: 80

Scott Fitzgerald teve uma actividade literária prolífica e celebrizou-se com romances como O Grande Gatsby, já publicado pela Presença, e Tender Is the Night, além de cerca de 160 short stories. O Estranho Caso de Benjamim Button foi publicado em 1922 e foi uma das histórias fantásticas através da qual o autor recolheu o aplauso unânime da crítica. Neste conto comovente onde o humor é uma nota dominante, Fitzgerald criou a história de um homem que desafia as leis naturais da vida ao nascer velho e com o passar dos anos em vez de se tornar ainda mais idoso, assiste progressivamente ao rejuvenescimento do seu corpo e mente até terminar a vida sob a forma de uma criança. Com setenta anos, sofre a incompreensão por parte do pai que procura por todos os meios camuflar a sua estranha aparência, esperando que a alta sociedade a que pertence feche os olhos a tão grande despropósito. Os anos vão passando, e para Benjamim crescer equivale a desenvelhecer. Quando atinge os cinquenta anos uma rapariga de vinte apaixona-se por ele e chegam a casar e a ter um filho, mas quando Benjamim se torna mais novo, com vinte anos, desapaixona-se da mulher, entretanto velha e em processo de decadência. O tempo vai passando e agora Benjamin experimenta as agruras da adolescência, as humilhações de não ser adulto até que se torna criança. Uma vida inusitada que contraria a ordem natural das coisas até ao inevitável fim. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

Depois de um longo período de ausência, estou de volta e trago hoje a resenha do livro “O Estranho Caso de Benjamin Button” do autor F. Scott Fitzgerald, e que se trata de um livro bastante conhecido e extremamente reconhecido pela crítica.

Em “O Estranho Caso de Benjamin Button” nos enveredamos em uma narração sobre a visa de Benjamin, um homem que nasceu velho e que, ao contrário das leis naturais da vida em que nascemos jovens e envelhecemos, passa a rejuvenescer com o passar dos anos.

Acompanhamos a evolução contrária de Benjamin que aos setenta anos, mal começou a vida, uma  vez que acabara de nascer, mas que , com a aparência de um velho, enfrenta os julgamentos da sociedade e a vergonha de seu pai, que não consegue aceitar a bizarrice que é ter um filho que já nasceu velho.

Com o tempo Benjamin ‘desenvelhece’, fato que trás consequências extremas para sua vida, como por exemplo o fato de ter se casado aos cinquenta com uma jovem de vinte anos, mas que com o passar dos anos, Benjamin no ápice de sua juventude, se vê casado com uma mulher velha.

Como vive do contrário, Benjamin atinge a adolescência quando todos à sua volta são adultos e/ou velhos, alcançando a infância quando deveria estar inciando a vida adulta, até seu inevitável fim.

Benjamin sofre com a rejeição do pai ao longo da vida, que com a vergonha que sente por ter um filho ‘estranho’, tenta esconder a todo custo a sua existência. Benjamin sofre ainda com a rejeição de seu filho, que não aceita a condição do pai.

O livro é ainda uma grande metáfora, que é muito usada comumente pelas pessoas para expressar as fases de nossas vidas – em que o curso natural que se segue é o de nascer um bebê, crescer, ser criança, amadurecer, passar pela adolescência, alcançar a vida adulta, velhice e falecer – , mas que é retratado pelo autor no sentido contrário, mas que nos mostra que o ciclo seguido é exatamente o mesmo, o de se ter um começo, um meio e um fim.

Tenho uma conhecida que trabalha como cuidadora de idosos e às vezes como babá de crianças, e que costumava dizer que ser um bebê e ser um velho bem velho é praticamente a mesma coisa. Dependemos das pessoas para nos locomovermos, nos alimentarmos, trocar nossas fraldas. E isso é bem verdade, realidade. E é exatamente o que expressa o livro de F. Scott Fitzgerald.

Em ínfimas oitenta páginas, o autor é bastante objetivo, sendo a narrativa bastante direta, ou seja, relata a vida de Benjamin sem e apegar a grandes detalhes ou explicações. O tempo passa em uma velocidade incrível, de forma que, se o leitor não estiver atento ao que lê, pode se perder na estrutura da linha de tempo desenvolvida pelo autor, que em certas ocasiões passa os anos em uma mera mudança de parágrafo.

Ainda que em certos aspectos essa objetividade seja um tanto quanto frustrante para o leitor – para mim foi um pouco – o autor consegue transmitir suas intenções com o conto, especialmente no que concerne à não aceitação da sociedade para com aquele que nasce diferente do que se espera, do comum.

                                                                              – Nas Telonas –                           

225px-ButtonPoster            

O livro de F. Scott Fitzgerald foi adaptado aos cinemas como “O Curioso Caso de Benjamin Button”, que teve seu lançamento no dia 25 de dezembro de 2008, sob a direção de David Fincher, tendo como atores principais Brad Pitt e Cate Blanchett.

O filme foi altamente recebido pela crítica, tendo recebido 13 nomeações ao Oscar, das quais venceu em três categorias: Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem.

Devo dizer que assisti ao filme e que esses é um daqueles raros casos em que o filme é melhor que o livro. Isso, no que diz respeito ao meu gosto pessoal. Digo isso pois gosto de livros que tenham desenvolvimento de enredo, e o estilo objetivo do conto, que não se apega a detalhes ou descrições me deixou um pouco frustrada em alguns momentos com a leitura. Já no filme, temos toda aquela magia retratada pelos efeitos especiais que nos mostra os detalhes que o livro não foi capaz de nos fornecer.

Ainda assim, apesar de recomendar e super o filme, ainda recomendo a leitura do livro também, que não deixa de ser um clássico.

Vou deixar o trailer legendado do filme aqui embaixo pra quem quiser conferir :

E segue aqui o filme completo dublado para quem tiver interesse em conhecer a obra:

 

 

Anúncios

[Resenha] #Livro 20/2018 –  Entre Quatro Paredes – O casamento perfeito ou a mentira perfeita? by B.A. Paris

entrequatroparedes

Título: Entre Quatro Paredes

 O casamento perfeito ou a mentira perfeita?

Autor(a/es): B.A. Paris

Editora: Record

Páginas: 226

Grace é a esposa perfeita.

Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida.

Ela é casada com Jack, o marido perfeito.

Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar.

Os dois formam um casal perfeito.

Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto?

Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

Hoje, o livro que trago é “Entre Quatro Paredes” da autora B.A Paris, um livro de suspense do gênero thriller psicológico. O livro nos apresenta Grace, uma mulher bonita e independente que não possui ninguém nesse mundo além de sua irmã Millie, que possui Síndrome de Down, após seus pais terem rejeitado Millie e inclusive se mudado de país, após colocá-la em uma instituição/internato.

Por esse motivo, Grace sonha em encontrar o amor de sua vida em uma pessoa que seja capaz de aceitar Millie apesar de sua condição especial, e assim poder trazê-la para morar junto á ela e seu companheiro, dando a ela o quarto amarelo – sua cor favorita – dos seus sonhos.

Até que Grace conhece Jack, que parece ter saído de um de seus sonhos. Ele a trata com respeito e carinho e além de tudo, aceita sua irmã, incluindo-a em todos os seus planos futuros com  Grace. O maior deles, o de comprar uma casa para que os três possam morar juntos.

Assim, Grace e Jack se casam e então o pesadelo começa. Jack se revela uma pessoa completamente diferente da que Grace conhecia antes do casamento. Aos olhos da sociedade, Jack é perfeito. O advogado ideal que defende mulheres vítimas de relacionamentos abusivos, um marido fiel e carinhoso, e mais, com uma casa perfeita, modos perfeitos. Assim como Grace é a esposa ideal. Sempre bem vestida e educada, dona de casa com dotes colunários e de organização além do normal, uma mulher que aceitou deixar sua carreira profissional para trás para se dedicar ao marido.

Porém, dentro de casa Jack é um psicopata que coloca Grace em um jogo psicológico, tendo ela que lutar com todas as suas forças para sobreviver a esse relacionamento, sendo que a perfeição que a sociedade vê em Grace nada mais é do que parte do jogo de Jack, que esta precisa exercer com maestria para não ter que sofrer as consequências.

“Entre Quatro Paredes” é um thriller psicológico que promete muito, mas falha em entregar tudo aquilo que ele começa a construir em seus capítulos inciais.

A construção da base do livro é impecável. O suspense que a autora nos traz ao descrever a relação de Grace e Jack é realmente muito bem escrita, e as dicas que a autora vai deixando ao longo da narrativa acerca do papel de Millie nessa trama toda é ainda mais surpreendente. Devo dizer que a palavra que descreve melhor o desenvolvimento desse livro é: angustiante.

A autora sabe construir o suspense de forma que faz com que o leitor queira a todo custo chegar ao final da leitura para descobrir o que irá acontecer. “Qual será o próximo passo? Grace conseguirá sair desse relacionamento abusivo? E mais, quais as motivações de Jack? E como Millie ficará ao final disso tudo?”. E, através desses questionamentos e a necessidade de buscar respostas, a leitura flui.

A alternância de capítulos entre o passado e o presente é um dos grandes aliados da autora para nos prender na teia de suspense por ela criado, principalmente nos capítulos finais, quando estamos quase chegando ao desfecho da história.

Mas, como nada é perfeito, acredito que a autora pecou em desenvolver um personagem muito importante para a trama, especialmente considerando o papel chave que ela possui para o encerramento dos acontecimentos narrados no livro. Sua participação é essencial, mas a forma como ela acontece é muito vaga, o que deixa uma grande impressão de aleatoriedade.

Dito isso, o final do livro deixou a desejar, especialmente considerando toda a trama que foi construída desde o início do livro. Mas nem por isso deixa de ser uma leitura recomendada, especialmente para aqueles que gostam de um suspense e de um thriller psicológico. Entretanto, preciso ressaltar aqui o “trigger warnning” para pessoas que tenham sensibilidade certos tipos de temáticas como a violência doméstica e relacionamento abusivos. Nesse livro a violência se destoa por não se focar tanto na violência física, mas especialmente na psicológica.

[Resenha] #Livro 19/2018 –  The Accidental Movie Star by Emily Evans

theaccidentalmoviestar

Título: The Accidental Movie Star

Autor(a/es): Emily Evans

Editora: CreateSpace Independent Publishing Platform

Páginas: 256

How did Ashley spend her summer vacation? Imagine the hottest guy in Hollywood. Do you see the girl next to him, the one handing him a cup of coffee? Yeah. That’s her.

Interning on a major motion picture is not all bad. She gets to watch some of the scenes and even offer her opinion. “That kiss looked lame. Laughably weak. There’s no chance at an MTV award with that kiss.” LOL.

Until the director says, “Hey, Intern. Yeah, you. Ashley. You’re right. So, teach Caspian how to kiss. Oh, and get in front of the camera. We’re going to need you in this next shot.”

OMG. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

Hoje, o livro que trago é “The Accidental Movie Star” da autora Emily Evans. Se traduzido ao pé da letra o título em português do livro fica “A Estrela de Filmes por Acidente” ou algo do tipo. Fica complicado deduzir, e pelo que pesquisei, não há nenhuma publicação dos livros dessa autora no Brasil, por isso vou adotar nessa resenha o título dele em inglês mesmo.

 Em “The Accidental Movie Star” temos Ashley, uma menina comum, que está trabalhando  nas férias como interna em uma mega produção de um filme hollywoodiano, graças a interferência do seu pai, que é bastante conhecido no ramo – fato que Ashley deixa ‘em off’, uma vez que não quer ser tratada de forma especial ou diferente por ter um pai influente, ou ainda, que questionem seu trabalho como indigno, por ter conseguido o emprego de forma ‘não merecedora’ –.

O combinado era de que Ashley trabalharia todo dia em um setor diferente da produção, para poder sentir como é estar nos bastidores em Hollywood e assim, o estágio conseguido por seu pai iria servir para que Ashley deixasse seu currículo mais interessante para as aplicações para a faculdade.

O que Ashley não esperava  era o fato de que esse estágio mudaria sua vida para sempre, deixando-a de pernas para o ar. Já em sua chegada, seu pai envia uma limosine para buscá-la no aeroporto. A grande questão é quem mais está dentro da limosine: Caspian Thaymore, o grande queridinho de Hollywood e um dos atores mais populares do momento e, personagem principal do filme em que Ashley iria trabalhar no verão.

A relação dos dois não começa com o pé direito e diversos desentendimentos surgem entre eles, principalmente pelo fato de que Ashley não é exatamente uma menina que se deixa intimidar, especialmente por uma certa estrela de cinema, sempre soltando o verbo quanto as suas opiniões. Até o ponto em que Caz passa a clamar Ashley como sua assistente pessoal. E claro que ninguém na produção quer contrariar a grande estrela do filme, motivo pelo qual Ashley vira a ‘babá’ do famoso ator hollywoodiano.

Então, um dia, durante a gravação de uma cena em que Caz beija a atriz principal do filme, Ashley critica o beijo em voz alta, sendo ouvida pelo diretor que também compartilha de sua opinião quanto ao beijo, passando para Ashley a missão de ensinar Caz a beijar!

Entre tantas confusões causadas pelos dois e entre os dois, Caz e Ashley se aproximam e claro, vivem um grande conflito que pode ou não culminar no fim do relacionamento dos dois – que sequer havia se iniciado –. Nesse meio tempo ainda, Ashley se vê diante das câmeras, lugar que jamais se imaginou estar, virando assim uma estrela de cinema ‘por acidente’.

O que eu posso dizer sobre esse livro? Eu encontrei ele em pdf para baixar na internet e pensei: “Por que não?” e decidi ler. Se tem uma coisa que pode expressar esse livro de forma bastante precisa é: clichê, ou ainda, ‘fanfic’!

O típico ‘menina comum, menino famoso’ romance cheio de altos e baixos em que a fama e os diversos problemas que surgem com ela, como a falta de privacidade e os rumores têm o seu papel.

O livro tem uma leitura agradável, no sentido de que ela flui de forma natural e simples, sem muitas complicações. A forma narrativa da autora é concisa, sem muitas inconsistências, o que facilita a leitura.

Porém, o enredo do livro poderia apresentar muito mais, mas não o faz, e quando tenta, falha muito. Eu entendo que um bom romance adolescente, principalmente aqueles que apresentam aquele casal mais ‘inesperado’ do mundo, precisa de uma pitada de controvérsia. Eu mesma gosto muito de livros nesse sentido, eleio ainda muitas fanfics com temáticas nesse estilo. Mas, no caso de “The Accidental Movie Star” eu acredito que parte da trama poderia ser dispensada, uma vez que torna a leitura um tanto quando cansativa em alguns momentos em que tudo que eu conseguia pensar era que eu queria que Ashley e Caz parassem de ser idiotas e se acertassem logo.

Ainda assim, por mais que tenham alguns aspectos que poderiam deixar o livro bem melhor, ele é bom por inteiro. Apesar do enredo ser um pouco pobre, a caracterização dos personagens é um ponto muito positivo, principalmente a personagem principal, Ashley. Os personagens fogem um pouco do clichê esperado, o que traz diversas surpresas no decorrer da leitura.

O livro faz parte de uma ‘série’, em que outros livros que seguem essa linha do ‘’accidental’’ foram publicados pela autora, e que não são exatamente uma continuação desse pelo que entendi.

Assim, eu super recomendo a leitura dele, apesar dele não ter versão publicada no Brasil. Isso é um ponto negativo por ser difícil ter acesso ao livro. Eu mesma estou procurando os outros livros da série mas não encontro de jeito nenhum.

P.S.: Eu prometi diversas coisas no post passado e não cumpri. No fim, não resenhei nada n feriado, não li nada e só estudei. Tive uma prova nesse fim de semana e agora finalmente deu tempo para dar uma respirada. Enfim, espero conseguir estar aqui em breve com novas resenhas!

[Resenha] #Livro 18/2018 –  Fiquei Com o Seu Número by Sophie Kinsella

fiqueicomseunumero

Título: Fiquei Com o Seu Número

Autor(a/es): Sophie Kinsella

Editora: Record

Páginas: 488

A jovem Poppy Wyatt está prestes a se casar com o homem perfeito e não podia estar mais feliz… Até que, numa bela tarde, ela não só perde o anel de noivado (que está na família do noivo há três gerações) como também seu celular. Mas ela acaba encontrando um telefone abandonado no hotel em que está hospedada. Perfeito! Agora os funcionários podem ligar para ela quando encontrarem seu anel. Quem não gosta nada da história é o dono do celular, o executivo Sam Roxton, que não suporta a ideia de haver alguém bisbilhotando suas mensagens e sua vida pessoal. Mas, depois de alguns torpedos, Poppy e Sam acabam ficando cada vez mais próximos e ela percebe que a maior surpresa da sua vida ainda está por vir. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

Hoje, o livro que trago é “Fiquei Com seu Número” da autora Sophie Kinsella. A primeira vez que tive contato com essa autora foi com o livro “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” que li faz bastante tempo e do qual gosto muito. Assim, comecei a ler esse livro com altas expectativas.

Em “Fiquei Com o seu Número” conhecemos Poppy Wyatt, uma mulher pra lá de atrapalhada, que está prestes a se casar com o homem perfeito! Se não fosse por um pequeno contratempo: após realizar um chá da tarde em um hotel, onde reuniu as amigas para comemorar sua despedida de solteira, Poppy perdeu o anel de noivado – que é ‘apenas’ uma relíquia da família do noivo, uma tradição de anos!

E agora? Dali a alguns dias irá se encontrar com a família do noivo, os prestigiados e intelectuais Tavish, com quem Poppy não tem exatamente um relacionamento muito confortável. Isso porque Poppy sente que não está na mesma altura que a família do noivo, que são pessoas cultas, ‘estudadas’, intelectuais e praticamente celebridades.

Além disso, Poppy perdeu o celular! Como fazer para manter contato com as pessoas à sua volta, para que tenha notícias do bendito anel antes que a família do noivo – e o noivo – descubram?

Poppy então está em seu dia de sorte! Encontra um celular abandonado no hotel onde se encontra hospedada!

Decidida, Poppy pega o celular que encontra e utilizando seu número, pede que o hotel entre em contato com ela de forma urgente para que lhe informem sobre o anel. Enquanto isso, bola um plano mirabolante, em que finge ter machucado a mão para não ter que mostrar aos sogros que havia perdido o anel relíquia da família.

“Não quero entrar numa discussão sobre o motivo de estar agarrada desesperadamente a um celular qualquer que achei numa lata de lixo”

Quem não gosta nada dessa ideia é Sam Roxton, o proprietário do celular, que foi jogado no lixo por sua assistente quando esta abandonou o emprego. Tentando convencer Sam de que é essencial que o celular fique em sua propriedade, Poppy faz um acordo com ele, em que irá encaminhar sem falta tudo que for passado ao celular de sua antiga assistente, como se fizesse esse papel.

“— Perdi meu anel de noivado. — Mal consigo suportar falar em voz alta. — É muito antigo e valioso. E depois meu celular foi roubado, e fiquei completamente desesperada, então passei por uma lata de lixo e ele estava lá. No lixo — acrescento, para dar ênfase. — Sua assistente jogou o aparelho fora. Quando uma coisa vai para a lata de lixo, é pública, sabe? Qualquer um pode ficar com ela.”

A partir daí, o que se desenrola é uma grande onda de confusão, onde Poppy precisa lidar com a organização do seu casamento, uma família do noivo não exatamente calorosa, “amigas”, o papel de assistente de um homem que vive para o trabalho, e ainda, com o fato de que a empresa de Sam se encontra na encruzilhada, ao ser colocada em uma suspeita muito grave, onde sua reputação está sendo colocada a prova, o que pode levá-la à falência ou mais, até mesmo à prisão de seus chefões por corrupção.

Além disso, Poppy precisará lidar com o fato de que talvez seu noivo não seja um homem tão perfeito assim e ainda, com o fato de que ter a presença de Sam Roxton em sua vida possa ser algo que ela queira mais do que imagina.

Posso dizer, ao ler mais uma obra de Sophie Kinsella, que sou fã da escrita da autora. Seus livro apresentam bastante coisa  acontecendo ao mesmo tempo, mas sua forma de narrar não deixa com que tudo vire uma confusão para o leitor, nem que a leitura fique muito pesada ou entediante. Muito pelo contrário. A leitura do livro “Fiquei Com seu Número” é leve e flui de uma forma tão natural que as 400 e poucas páginas do livro parecem ser 100!

A única ressalva que eu tive com esse livro foi o fato de que ele poderia ter evitado um ou dois dramas que ali ocorreram.

A autora Sophie Kinsella possui protagonistas mulheres, independentes e fortes, mas  ao mesmo tempo super desajeitadas, do mesmo jeito que a mulher real, com que podemos facilmente nos identificar. Porém, com tendências à escolhas que levam sempre à uma confusão maior e maior.

O fato de a autora sempre levar suas personagens ao limite da confusão antes de tentar concluir suas narrativas pode ser um pouco cansativo para quem lê mais de um livro dela. Pode ser que eu esteja fazendo um julgamento antecipado de valores, uma vez que li apenas dois livros dela, mas posso afirmar que essa característica é bem marcante em ambos.

Fora isso, a leitura é recomendadíssima, por se tratar de um livro leve, totalmente para aqueles momentos em que precisamos de um pouco de paz, um momento para relaxar e ter algo positivo em nosso dia a dia (considerando os dias atuais que estamos vivendo, momentos assim são sempre importantes e bem-vindos!).

P.S.: Gente, sumi. Mas ando tão ocupada e paranoica com meus estudos que sempre que parava para escrever uma resenha, me sentia culpada por não estar estudando e não conseguia concluir. Essa vida de estudar e viver pra estudar está me deixando doida.

Estou tentando colocar a vida nos eixos, e acho que em breve devo conseguir! Vou tentar aproveitar o feriado para escrever e adiantar as coisas por aqui, mas não posso prometer!

Para os que resistiram às teias de aranha e ainda frequentam o blog, meu muito obrigada!

[Resenha] #Livro 17/2018 –  Carta ao Pai by Franz Kafka

cartaaopaikafka

Título: Carta ao Pai

Autor(a/es): Franz Kafka

Editora: Martin Claret

Páginas: 112 (a edição que eu comprei tem três livros do autor que totalizam 112 páginas, “Carta ao Pai” deve ter umas 13 páginas ao todo, mas não estou certa dessa informação.)

A Carta ao pai é uma peça fascinante da obra de Franz Kafka. Dificilmente algum filho pôde escrever ao pai carta mais pungente do que esta. Nela o grande escritor realiza um ajuste de contas memorável com o tirano familiar Hermann Kafka. O móvel do confronto é uma tentativa de casamento do filho que o pai desaprova, mas o texto abrange toda a relação entre ambos, num ritmo dolorosamente ágil. Como sempre, a capacidade de análise e argumentação do escritor surpreende. Aqui ela transforma uma carta em documento perene da literatura universal. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

Hoje, o livro que trago é “Carta ao Pai” do autor Franz Kafka, que acredito eu, dispensa apresentações. E, apesar disso, esse foi o primeiro livro dele que li. Na versão que eu comprei são três os ‘contos’ do autor: “Carta ao Pai”, “Artista da Fome” – que eu já li tem um tempo, mas preciso me preparar para resenhar – e a famosa obra do autor “Metamorfose”, que ainda tenho que ler.

“Carta ao Pai”, como o título do livro em si já indica, é uma carta escrita pelo autor Franz Kafka ao seu pai Hermann Kafka (1852 – 1931), na qual desabafa sobre como se sentia quanto a relação deles de pai e filho, e a forma como enxergava a figura do pai, bem como expõe o porquê de sempre ter se sentido pequeno através das nuances desse relacionamento, que nos mostra ainda, o quanto o autor se torna frágil diante de tal circunstância.

“Carta ao Pai” provavelmente deve ser o livro mais transparente e sincero do autor. Li pouco dele, mas pelo que conheço, acredito ser esse o livro no qual o autor mais colocou de si; em que mais expôs sua verdadeira forma. Aqui, Franz Kafka fala sobre seus anseios e medos, sobre o fato de sempre se sentir pequeno, fraco e fora do normal, coisas que sempre estão presentes em seus textos, mas de forma crua. Aqui, o fraco é Franz Kafka, aquele que possui medo do pai, e não um ser – personagem – que possui outras formas de escape dessa realidade.

Desde o começo, Franz Kafka deixa claro que a relação com o pai não era ideal. Nas primeiras linhas da carta temos a afirmação do autor de que tinha medo do pai.

“Querido pai,

Tu me perguntaste recentemente por que afirmo ter medo de ti. Eu não soube, como de costume, o que te responder, em parte justamente pelo medo que tenho de ti, em parte porque existem tantos detalhes na justificativa desse medo, que eu não poderia reuni-los no ato de falar de modo mais ou menos coerente. (…)”

Em verdade, Kafka temia muitas coisas. O medo que sentia do pai e sua relação falha com ele, era apenas um entre tantos outros fatos que o desconcertavam. Mas, podemos ver que talvez, esse relacionamento ruim fora na verdade o primeiro desses fatos.

“Eu magro, fraco, franzino, tu forte, grande, possante. Já na cabine eu me sentia miserável e na realidade não apenas diante de ti, mas diante do mundo inteiro, pois para mim tu eras a medida de todas as coisas.”

Uma das motivações da ‘carta ao pai’ vem do fato de que ao anunciar ao pai seu casamento  este reagiu de forma fria e desinteressada. Para Kafka, o medo do pai ia além das nuances físicas, ainda que fossem um fator de grande consideração. Mas iam além, no aspecto da capacidade. O pai era o provedor da família, no aspecto econômico, o que permitiu que o autor estudasse. Porém, lhe faltava a aptidão sentimental. O pai era grosseiro, frio e duro. Não apenas com o filho, mas com toda a família. Os comentários que fazia eram raramente comedidos ou pensados, sempre carregando duras críticas à todos ao seu redor.

“Seja como for, éramos tão diferentes e nessa diferença tão perigosos um para o outro, que se alguém por acaso quisesse calcular por antecipação como eu, o filho que desenvolvia devagar, e tu, o homem feito, se comportariam um em relação ao outro, poderia supor que tu simplesmente me esmagarias sob os pés, a ponto de não sobrar nada de mim…”.

Outro ponto de grande impacto entre pai e filho se dava pelo fato de Hermann Kafka não aceitar muito bem a profissão do filho. No entanto, a desaprovação se dá principalmente pelo desinteresse. Seu pai nunca se importou em parar para ler o que Kafka havia escrito.

Kafka desenvolveu ainda, diante do medo da figura do pai, sempre tão frio e autoritário, no qual faltavam momentos de afeto paternal no relacionamento entre ambos, um grande medo de firmar-se emocionalmente e constituir a própria família. O receio de se tornar como o próprio pai para sua família o impediu de casar-se, mesmo que tenha noivado por duas vezes ao longo de sua vida.  A necessidade da aprovação do pai quanto ao seu casamento também trazia ao autor uma disposição a fugir dos relacionamentos sérios e duradouros.

Para Kafka, ele nunca seria uma figura de respeito diante do pai, e nunca alcançaria o suficiente para merecer o seu respeito. E, o fato de que suas irmãs e sua mãe conseguiam desenvolver suas vidas emocionais, mesmo com a presença e o convívio com uma figura como o pai/marido, trazia uma grande culpa para Kafka – que era muito mais afetado que elas pelas atitudes do pai – , por não conseguir se adaptar e prosseguir com sua vida, e muito menos conseguir corresponder a algum tipo de afeto trazido pelo pai.

“Carta ao Pai” é um grande estudo. Franz Kafka possuía fragilidades aos montes, mas ao lermos sua carta à seu pai, encontramos o cerne da vida de um gigante da literatura. De “Carta ao Pai” muito podemos extrair. Kafka possui aquela capacidade de nos fazer conectar com seu texto. Ainda que a relação falha entre pai e filho seja muito extrema, podemos em algum momento, nem que seja por um trecho seque, nos identificar à sua história. Não apenas quanto ao medo do pai, ou quanto a existência de uma figura fria e autoritária, mas ainda, quanto às fragilidades e ansiedades que Kafka possuía e externava no que concerne à vida como um todo.

P.S.: Demorei mas apareci. Confesso que aliada à preguiça de escrever, a verdade é que estive bastante ocupada. Viajei no feriado, mas sobre a viagem eu falo logo mais, uma vez que comprei livros e devo trazer um post para falar um pouco deles – apesar de eu não tê-los lido ainda – e também, fiquei doente, precisei me reestabelecer em uma rotina pós-viagem, a bad de ter voltado bateu, dentre outras coisas. Mas a mais difícil das dificuldades – eita! – foi sentar para resenhar Kafka. A complexidade de seus textos me travou de um tanto, que ando cogitando não resenhar ou outro livro dele que li, “Um Artista da Fome”. Se já foi difícil escrever algo que preste de um livro que eu gostei, imagina de um que eu não gostei? Mas isso eu resolvo depois.

É bom estar de volta, apesar da preguiça e dos percauços!

[Resenha] #Livro 16/2018 –  O Quinto Mandamento – Caso de Polícia by Ilana Casoy

o quinto mandamento.jpg

Título: O Quinto Mandamento – Caso de Polícia

Autor(a/es): Ilana Casoy

Editora: ARX (Grupo Siciliano)

Páginas: 191

Honrar pai e mãe é o quinto mandamento bíblico, e desrespeitá-lo é inaceitável para a grande maioria das pessoas.

O que levou Suzane von Richthofen, uma aplicada estudante de direito, rica e bonita, a planejar o assassinato de seus pais e participar de cada etapa da elaboração do crime? Com faro de detetive, Ilana Casoy – presente na reconstituição do crime – segue passo a passo os bastidores desse crime monstruoso, desde sua execução até a confissão final. Ela mostra o comportamento dos assassinos – que em pouco mais de uma semana passaram de vítimas a acusados -, os depoimentos da família e o trabalho quase sem precedentes na história da polícia. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

O livro que trago hoje para vocês é “O Quinto Mandamento – Caso de Polícia” da autora Ilana Casoy. O livro retrata uma história real, que provavelmente todos os brasileiros com idade suficiente ouviram falar, que nada mais é do que o assassinato do casal Richthofen. Quem narra a história é a criminóloga especialista em perfis psicológicos de criminosos e escritora Ilana Casoy.

O livro se encontra na categoria “jornalismo literário”, classificado como uma não-ficção, o mesmo em que se encontra o livro “A Sangue Frio”, onde Trumar Capote disseca um brutal assassinato.

O assassinato do casal Richthofen foi amplamente divulgado na mídia à época que aconteceu. Casal de classe média alta, família bem estrutura, aparentemente feliz. O crime chocou o país por sua brutalidade e ainda, pela constatação quase inacreditável da identidade dos autores do crime, que eram nada menos do que a filha do casal, Suzane, e seu namorado, juntamente com o irmão dele, conhecidos como ‘os irmãos Cravinhos’.

No livro, a autora nos apresenta os elementos que cansamos de ver na mídia, mas sob a ótica daqueles que estiveram de fato envolvidos na investigação do crime, nos dando uma visão menos sensacionalista e muito mais realista da tragédia que se anunciou na casa dos Richthofe.

De um crime bárbaro do qual não se restavam suspeitos nem testemunhas, para uma reviravolta em que os responsáveis estavam bem ali, debaixo do nariz da polícia, a autora nos mostra detalhes que estiveram presentes nos depoimentos dos jovens assassinos, montando uma imagem daquilo que foi o planejamento e a execução do crime.

Um diferencial desse livro são os trechos, em uma parte mais avançada da narrativa, quando a polícia já suspeitava dos autores do crime, mas precisava de uma confissão destes uma vez que as provas que existiam não eram suficientes para incriminá-los. A autora do livro pode – através de sua credencial, se não me engano, pois foi o que entendi da leitura do livro – acompanhar de perto a investigação, tendo acesso ao local do crime, e ainda, á delegacia de polícia, as reuniões daqueles envolvidos na investigação, e aos depoimentos de Suzane, Andreas – o outro filho do casal assassinado – e os irmãos Cravinhos.

Além disso, a autora traz em seu livro fotos da reconstituição do crime realizada pela polícia com os autores após suas confissões.

 Em verdade, o livro não traz grandes novidades para aqueles que acompanharam o caso pela mídia. Com o clamor popular, o caso foi amplamente acompanhado pelos canais de comunicação, onde detalhes da investigação foram amplamente divulgados.

Ainda assim, com os detalhes extras que as credenciais da autora trouxeram, algumas dúvidas surgiram, ao contrário do esperado, que era o de se obter respostas. Por muito, ao ler o livro, tive a mesma dúvida que a autora questiona em alguns momentos, que é quanto ao envolvimento do irmão mais novo de Suzane, Andreas Albert von Richthofen em toda a trama. Vemos através das palavras da autora um menino que tinha um amor muito grande pela irmã e uma admiraão incrível pelo namorado dela. Fatores que colocaram ele em meio á um furacão quando da investigação do assassinato de seus pais.

Outro personagem que tem destaque no livro e que eu quase não presenciei no acompanhamento da mídia quanto ao caso, é o pai dos ‘irmãos Cravinhos’ Astrogildo Cravinhos. Na época da investigação, me lembro que ele foi até mesmo cogitado como cúmplice, mas apenas essa menção a seu nome. No livro, ele tem um papel muito além. Participou ativamente durante as investigações, falou com a imprensa, dentre outras coisas.

No livro, temos ainda a visão daquela pergunta que sempre nos norteia quando lemos sobreum crime tão bárbaro quanto esse: “por que?”. Temos a questão do dinheiro e da herança, da rigidez dos pais na criação de Suzane, a proibição do namoro dos dois. Enfim, uma das questões que provavelmente jamais será satisfatoriamente respondida pois os únicos que sabem a fundo os motivos são os próprios autores do crime.

Eu achei a leitura muito interessante principalmente pelo fato de que minha área de formação é o direito, tendo feito todo meu estágio prático na área do direito criminal. Acho que talvez por esse fato, eu realmente goste de ler sobre crimes e suas investigações e saber mais a fundo sobre os detalhes de como foi feita a apuração dos fatos.

Mas, por se tratar de – infelizmente – um caso real e que de fato chocou o Brasil, não recomendo a leitura para pessoas que não se sintam confortáveis lendo sobre o tema, principalmente quanto ao capítulo em que há a descrição por parte da autora de como foi feita a execução do assassinato das vítimas, que não retratam nem de longe uma imagem afável.

[Resenha] #Livro 15/2018 –  Aqueles que se Afastam de Omelas (The Ones Who Walk Away From Omelas) by  Ursula K. Le Guin

omelas

Título: Aqueles que se Afastam de Omelas

(The Ones Who Walk Away From Omelas)

Autor(a/es): Ursula K. Le Guin

Editora: Creative Education

Páginas: 32

Do your students enjoy a good laugh? Do they like to be scared? Or do they just like a book with a happy ending? No matter what their taste, our Creative Short Stories series has the answer.We’ve taken some of the world’s best stories from dark, musty anthologies and brought them into the light, giving them the individual attention they deserve. Each book in the series has been designed with today’s young reader in mind. As the words come to life, students will develop a lasting appreciation for great literature.

The humor of Mark Twain…the suspense of Edgar Allan Poe…the danger of Jack London…the sensitivity of Katherine Mansfield. Creative Short Stories has it all and will prove to be a welcome addition to any library. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

O livro que trago hoje para vocês é “Aqueles que se Afastam de Omelas (The Ones Who Walk Away From Omelas)” da autora  Ursula K. Le Guin. “Aqueles que se Afastam de Omelas” é na verdade um conto, que se colocado em texto apenas em linhas corridas, não deve possuir mais do que 04 (quatro) páginas de word (se configurado como Times New Roman, 11). E nossa, como um texto tão curtinho pode dizer tanto? Essa é apenas uma das muitas reflexões que fiz após terminar essa leitura.

O conto ficou muito popular recentemente, após aparecer no clipe musical do grupo de k-pop (pop coreano) chamado BTS. É de conhecimento das fãs que o grupo usa de diversas inspirações para os conceitos de seus álbuns – deixando todo mundo doido desenvolvendo teorias para o conceito e histórias dos clipes e músicas, aliás -, como por exemplo o clássico de Herman Hesse, Demian, o qual eu já resenhei por aqui. Como eu adoro uma referência e indicação de leitura, após ver o clipe da música “Spring Day” do grupo BTS, decidi procurar o conto para ler. A titulo de curiosidade, vou deixar o link aqui para quem quiser assistir o clipe de “Spring Day”. [https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=xEeFrLSkMm8]

Mas, aquém dessa recente popularidade, o conto é um clássico que faz parte da obra “As Doze Quadras do Vento” da autora Ursula K. Le Guin, uma coletânea de 12 contos publicada em 1973, tendo o conto ganhado o prêmio “Hugo Award for Best Short Story” em 1974, sendo esse um dos mais prestigiados prêmios dos gêneros da ficção científica e fantasia.

Omelas soa em minhas palavras como uma cidade em um conto de fadas, tempos atrás e muito longe, era uma vez. (Aqueles que se Afastam de Omelas (The Ones Who Walk Away From Omelas) by  Ursula K. Le Guin)

No conto, a autora nos apresenta uma cidade em que todos são felizes, classicamente felizes. Onde todos possuíam o necessário para viver, em uma cidade alegre, cheia de prazeres para aqueles que ali viviam. Não havia um rei, não se usavam espadas e não se mantinham escravos. A cidade era linda, com o seu céu azul, ares de montanhas, jardins lindos, observados em um andar tranquilo de seus moradores pelas ruas de  Omelas.

Porém, para que aquela felicidade permanecesse existindo, para que Omelas fosse sempre uma cidade próspera, um acordo fora firmado a longos anos passados, como uma condição que deve ser mantida pelos moradores de Omelas.

Para que se mantenha a prosperidade de Omelas, deve-se manter presa em um calabouço uma criança, que deve viver desprovida de qualquer forma de felicidade, aquela felicidade toda desfrutada pelos cidadãos de Omelas.

E, todos que ali moram sabem da condição e tem ciência da existência dessa criança. Todos são cúmplices.

Eles gostariam de fazer algo pela criança. Mas não tem nada que possam fazer. (…)

Esses sãos os termos.

Trocar toda a bondade e graça de cada vida em Omelas por aquela única e pequena melhora: jogar fora a felicidade de milhares pela possibilidade de felicidade de um: isso seria deixar a culpa dentro das paredes, de fato. (The Ones Who Walk Away From Omelas) by  Ursula K. Le Guin)

Quem lê o texto normalmente se chocaria ao ler que para a manutenção de uma cidade feliz, se faz necessário tirar de uma criança, toda a sua vida. Mas uma cidade inteira no conto, o faz. Pelo bem de todos, o sacrifício de um. Parece para eles então, algo razoável. E mais, não sou eu, então porque não?

E então, aqueles que não concordam com a condição, ao perceber dentro de si a culpa de ser feliz em troca da felicade de outro, ainda mais de uma criança, de uma inocente vida, partem de Omelas.

Essa crítica da autora, em sua obra de 1973, não foge muito da nossa realidade atual. Vemos todo dia na televisão as notícias nos telejornais. Pessoas preocupadas apenas com seu próprio bem-estar, que não se incomodam com o que de ruim possa acontecer com os outros, desde que o seu seja garantido. A realidade do mundo moderno.

A falta de empatia que presenciamos nos dias atuais é claramente o retrato que Ursula K. Le Guin retrata em seu conto, que apesar de ter sido escrito anos atrás, é completamente aplicado ao momento atual.

Na minha opinião, a leitura desse conto é altamente recomendada! E mais, por se tratar de um conto curtinho, pode ser uma leitura encaixada em diversas ocasiões em que precisamos esperar, ou nos deslocar – desde que não estejamos dirigindo, logicamente – dentre outros. Alguns sites disponibilizam o conto em pdf para baixar e tem até a versão traduzida para o português em alguns blogs! Leitura rápida e de fácil acesso e que contém um conteúdo enorme!

[Resenha] #Livro 14/2018 –  A Pequena Vendedora de Fósforos by  Hans Christian Andersen

vendedorafósforos

Título: A Pequena Vendedora de Fósforos

Autor(a/es): Hans Christian Andersen

Editora: Scipione

Páginas: 30

Conta a história de uma pequena garotinha russa no período pré-revolucionário que tenta sem sucesso vender seus fósforos para sair do frio. E com esses mesmos fósforos ela é capaz de ter as mais belas visões de esperança.. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

O livro que eu trago hoje é “A Pequena Vendedora de Fósforos” do autor Hans Christian Andersen. Encontrei esse livro na lista do “The Rory Gilmore Reading Challenge”  sobre a qual comentei anteriormente no blog.

“A Pequena Vendedora de Fósforos” trata-se de um conto infanto-juvenil, que versa sobre a história de uma pequena menina, que na época do Natal, em um dia de muita neve, está nas ruas tentando vender caixas de fósforos. Isso porque, a pequena menina faz parte de uma família muito pobre, sendo que para ajudar nas despesas da casa, a missão da menina é sair para realizar a venda das caixas de fósforos.

Mas apesar de se um conto natalino, e porque não dizer, um conto de fadas, aqui não há fantasia. Apenas encontramos a realidade de uma menina pobre, que luta contra a fome e o frio, enfrentando os maus-tratos por parte da família que vive na miséria, e mais, tendo que lidar com a indiferença daqueles que a rodeiam nas ruas.

Sendo ignorada pelas pessoas que passam por ela nas ruas cheias de neve, a menina, com medo de voltar para casa pois não vendera nenhum fósforo sequer naquele dia, se acomoda em um canto da calçada. E bem ali passa por uma viagem mágica através da fantasia que uma pequena menina gostaria de viver, ao reencontrar através dos fósforos que carrega consigo, a falecida avó, através das imagens que eles produzem ao serem acesos naquele canto escuro.

“A Pequena Vendedora de Fósforos” é um livro muito bonito, mas ao mesmo tempo muito cruel. Andersen joga na nossa cara a realidade que presenciara à época em que viveu,mas que hoje ainda, ao lermos o conto, podemos idenificar no nosso dia-a-dia. Não há finais felizes, não há mágica milagrosa. O autor une em sua escrita, a fantasia e a magia com a realidade nua e crua.

Apesar de se tratar de um livro voltado para o público infantil, acho ele muito maduro. Acredito que o contato com ele quando jovens, nos faz, ao ser bem interpretado e explicado, refletir. Aos lermos o livro mais velhos, temos empatia, sentimos tristeza, e refletimos também.

Uma leitura curtinha, mas com tanto significado! Altamente recomendado!

– Adaptações-

Ao longo dos anos houveram diversas adaptações desse conto em curtas metragens, médias metragens, animações, slides, desenhos. Alguns, tentaram dar um novo final à menina, outros se mantiveram fiéis á narrativa, por mais triste que ela seja.

Eu particularmente acredito que mudar seu final é uma forma de tirar da história a intenção do autor. Tenho convicção de que a realidade nua e crua que ele retrata de forma tão singela em sua narrativa, está ali por um motivo. O de chocar, revelar e fazer refletir.

Como são diversas as adapações, vou escolher algumas para assistir e eventualmente, dois curtas baseados nesse conto que eu encontrei, vou trazer em posts próprios no blog, e assim, tentando retomar a série de recomendação de curtas metragens que iniciei no blog e que está abandonada.

– Nas Telonas –

Por enquanto, deixo aqui para vocês essa adaptação que encontrei no youtube, uma média metragem em preto e branco, filme antigo por frames, que eu assisti e achei bem legal!

A adaptação é de Jean Renoir, que teve seu lançamento em 08 de junho de 1928 na França, tendo como elenco Catherine Hessling, Jean Storm, Manuel Raaby, Eric Barclay, Amy Wells

[Resenha] #Livro 13/2018 –  Matilda by Roald Dahl

MATILDA

Título: Matilda

Autor(es): Roald Dahl

Editora:Martins Fontes

Páginas: 254

Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentavam seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. A história de Matilda até que poderia ser triste. Mas Roald Dahl conta as coisas de um jeito tão absurdo e exagerado, inventa tantas travessuras e aventuras malucas, que tudo acaba ficando engraçado. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

O livro que eu trago hoje é “Matilda” do autor Roald Dahl. Tive contato com a história desse livro quando era muito nova, através da adaptação cinematográfica dele, um filme que passava direto na televisão. Qual foi minha surpresa em descobrir somente agora, anos depois, que um dos filmes que marcou minha infância era adaptado de um livro?

matilda

O livro “Matilda” versa sobre … Matilda! Uma menina com capacidades excepcionais, que com menos de dois anos de idada já sabia falar como gente grande, e que com três, já sabia ler, tendo aprendido sozinha.

Porém, apesar de todo brilhantismo de Matilda, essa nasceu em uma família diferente, em que o pai era um pilantra e a mãe uma pessoa que só ligava para a aparência e para o dinheiro, sendo ambos muito obtusos e sem cultura, não enxergando o potencial da filha. Inclusive, uma das críticas do livro o autor faz, ao ‘desenhar’ uma família que tinha como hábito fazer as refeições à frente da televisão, e pais que desestimulavam o gosto pela leitura que a filha tinha.

Aliás, o livro é cheio de insinuações, em que o autor usa alegorias para expressar suas críticas, que não são nada fúteis.

Para sorte de Matilda, ela encontra a Prof. Mel, sua professora da escola, que enxerga o potencial da menina e passa a ajudá-la, principalmente ao perceber a ignorância de seus pais. As duas tem que lidar ainda com a perversa diretora da escola, a Sra. Taurino.

O livro é do gênero infanto-juvenil, mas considero a leitura interessante para pessoas de qualquer idade. A forma de narração do autor é muito bem escrita, o que torna a leitura fácil, que flui de um jeito que você nem percebe que está chegando ao fim.

O livro é altamente recomendado! O enredo é muito bem elaborado e mistura de forma fantástica a fantasia com a realidade e ainda, com críticas sociais, de forma a contar uma história mas ao mesmo tempo deixar uma lição no ar.

– Nas Telonas –

matildafilmes

Matilda foi lançado nos cinemas no ano de 1996 – aqui fica explicado o que eu disse antes, de ter crescido assistindo esse filme que passava quase todo mês na televisão lol -, dirigido por Danny DeVito, que inclusive faz o papel do pai de Matilda.

Uma coisa interessante desse filme é que o roteiro dele é praticamente 100% fiel ao livro! Eu li o livro depois de anos após ter visto o filme e fiquei chocada durante a leitura em como o enredo abrangeu até mesmo os pequenos detalhes do livro. Poxa, o cinema atual não podia seguir esse exemplo não? xD

[Resenha] #Livro 12/2018 –  Inventei Você? by Francesca Zappia

inventeivoce

Título: Inventei Você?

Autor(es): Francesca Zappia

Editora: Verus

Páginas: 346

Alex está no último ano do ensino médio e trava uma batalha diária para diferenciar realidade de ilusão. Armada com uma atitude implacável, sua máquina fotográfica, uma Bola 8 Mágica e sua única aliada — a irmã mais nova —, ela declara guerra contra sua esquizofrenia, determinada a permanecer sã o suficiente para entrar na faculdade.

E Alex está bem otimista com suas chances, até se deparar com Miles. Será mesmo aquele garoto de olhos azuis com quem ela compartilhou um momento marcante no passado? Mas ele não tinha sido produto da sua imaginação?

Antes que possa perceber, Alex está fazendo amigos, indo a festas, se apaixonando e experimentando todos os ritos de passagem tipicamente adolescentes. O problema é que ela não está preparada para ser normal.

Engraçado, provocativo e emocionante, com sua protagonista nada confiável, Inventei você? vai fazer os leitores virarem as páginas alucinadamente, tentando decifrar o que é real e o que é invenção de Alex. (retirado do skoob).

Olá, kika here again!

O livro que eu trago hoje é “Invetei Você?” da autora Francesca Zappia, um livro de ficção que traz em sua temática uma realidade. A autora trabalha em sua narrativa a esquizofrenia, uma doença sobre a qual muitos já ouviram falar, mas pouco sobre ela sabem, existindo muitos mitos rondam essa doença e aqueles que por ela são acometidos.

Através da narrativa acompanhamos o dia-a-dia de Alex, uma estudante do esino médio, porém que não pode ser considerada típica, uma vez que, por causa de sua condição, esta passa boa parte do seu tempo tentando diferenciar se o que se passa a sua volta é realidade ou ilusão.

Disposta a conseguir seguir em frente e viver uma vida ‘normal’, Alex conta com sua máquina fotográfica, uma bola 8 mágica e com sua irmã mais nova, sua grande aliada, nessa luta contra a doença. Alex decide enfrentar o mundo e a doença com um único objetivo em mente: entrar na faculdade.

Até que, ao começarem as aulas em sua nova escola, Alex se depara com Miles, um menino que a faz lembrar do garoto de olhos azuis com o qual, quando criança, compartilhou uma de suas lembranças mais marcantes da vida, mas que sempre lhe fora dito, tratar-se apenas de um produto de sua imaginação. E então? Será Miles realmente o menino com quem causou uma revolução no passado, sendo suas lembranças reais ou seria tudo apenas uma ilusão e Miles apenas um menino que lembrava o garoto de suas lembranças?

Mas, agora não era o momento ideal para essas divagações. Alex está ali para provar para as escolas, faculdades, aos pais, à terapeuta e a si mesma, que tem condições sim de ir para a faculdade.

Então, quando Alex percebe, está fazendo amigos na escola, frequentando festas e eventos sociais, e claro, se apaixonando. Tudo que uma adolescente normal vive no ensino médio. Mas, Alex não é uma menina normal, ou é? Aquilo tudo é mesmo real?

“Invetei Você?” conta a história através do ponto de vista de Alex, o que torna a narrativa por si só muito interessante. Por termos como narrador uma pessoa que sofre de esquizofrenia, temos que ter a atenção na leitura, sobre o fato de que não podemos nunca ter certeza de que o que está sendo contado é real ou fruto da doença de Alex.

O toque que essa dúvida sobre o que é real e o que é alucinação deixa a leitura mais cativante, pois nos faz sempre ter uma segunda opinião sobre tudo que está sendo narrado.

O que mais marca no livro é claro, além da luta de Alex com sua doença, é o relacionamento dela com Miles. Entre saber se ele é mesmo personagem de seu passado, conviver com ele na escola e ambos descobrirem que são mais do que apenas amigos, vemos o desenvolver de um relacionamento que é muito mais do que um romance de escola. Todas as condições que os cercam levam a um interessante desenvolvimento para o casal.

A luta de Alex para mostrar ao mundo que pode sim realizar seu sonho se dá principalmente em casa. Temos retratados aqui pais de uma menina com uma condição especial, a esquizofrenia, que não estão de maneira alguma preparados para esse papel. E vemos e acompanhamos esse relacionamento, por vezes frustrante, entre pais e filha.

Muita coisa acontece na vida de Alex e temos muitas reviravoltas na história, que em momento algum fica monótona. Temos uma personagem principal que luta contra uma condição com a qual precisa conviver, sem ter o poder da escolha, mas que se recusa a aceitar destinos impostos por tal condição. Alex quer mais, quer tudo e mais um pouco. É bem legal o fato da autora ter escolhido um tema tabu, e colocado com personagem central uma menina forte, que luta pelo seus sonhos.

Eu não sei o quanto de verdade o livro tem quanto a doença pois não tenho muito conhecimento sobre ela, mas posso dizer que o livro é muito interessante, tratando de um tema difícil, de uma forma até leve. Leitura recomendada!